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    Cubanos protestam em frente à embaixada dos EUA em Havana contra acusação de Raúl Castro

    11 hours ago

    Pessoas se reúnem antes de um protesto pró-governo convocado pelas autoridades cubanas para protestar contra as políticas dos EUA em relação à ilha, incluindo a acusação do ex-presidente cubano Raúl Castro, em Havana , Cuba REUTERS/Norlys Perez Milhares de cubanos se reuniram em frente à embaixada dos Estados Unidos em Havana, a capital de Cuba, para protestar contra a acusação de Raúl Castro e as ameaças contra o país nesta sexta-feira (22). A manifestação pró-governo, que começou pouco depois do amanhecer na orla da cidade, contou com a presença do presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, e do primeiro-ministro, Manuel Marrero. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Na quarta-feira (20), os EUA acusaram criminalmente o irmão de Fidel Castro e ex-presidente de Cuba, de 94 anos. De acordo com os autos, ele é acusado de quatro homicídios, dois crimes de destruição de aeronave e um crime de conspiração para matar cidadãos americanos. Outras cinco pessoas também são citadas como rés em uma moção dos EUA para tornar pública a acusação contra Castro. "Os Estados Unidos não tolerarão um estado pária que abrigue operações militares, de inteligência e terroristas estrangeiras hostis a apenas 145 quilômetros do território americano", disse Trump em um comunicado divulgado na quarta-feira. Raúl Castro discursa no cemitério Santa Ifigenia durante a celebração do 60º aniversário da Revolução Cubana de 1959 Reuters/ Yamil Lage Nesta quinta-feira (21), o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, condenou as acusações contra Castro e afirmou que o povo cubano não tolerará insultos contra sua história e seus heróis nacionais. Em um post na rede social X, Canel disse que o povo cubano perseverou na superação das dificuldades e escassez causadas pelo bloqueio em seu cotidiano, e que acusação uniu ainda mais o povo cubano e fortaleceu o orgulho nacional e o sentimento anti-imperialista. Initial plugin text Também na quinta, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, condenou as declarações do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que postou uma mensagem em espanhol para os cubanos em que culpava os líderes do país pela crise de abastecimento atual. Rodríguez acusou os EUA de fabricar mentiras para instigar uma agressão militar que levaria a um derramamento de sangue entre cubanos e americanos: "O Secretário de Estado dos EUA sabe muito bem que o fortalecimento das medidas coercitivas unilaterais, que ele orquestrou com tanta malícia, é o principal obstáculo ao desenvolvimento econômico de Cuba, o que teve um impacto abrangente e destrutivo em todos os setores do país, inclusive no setor privado". Ameaças dos EUA O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou na segunda-feira (18) que a ilha não representa uma ameaça. A expectativa é que a acusação sobre o ex-presidente cubano, que ainda não foi detalhada, envolva um incidente ocorrido há 30 anos: a derrubada de dois aviões civis em fevereiro de 1996. O caso é considerado um dos episódios mais delicados da relação entre EUA e Cuba e ocorreu quando Raúl Castro era ministro da Defesa. A ilha estava então sob o comando de seu irmão, Fidel Castro (1926-2016). Vídeos em alta no g1 As aeronaves pertenciam ao grupo Brothers to the Rescue (“Irmãos ao Resgate”), formado por cubanos anticastristas exilados nos EUA. Os quatro tripulantes morreram, três deles cidadãos americanos. Da guerrilha ao poder O episódio é mais um no percurso longo e errático das relações entre Raúl Castro e Washington. Raúl Modesto Castro Ruz, que completa 95 anos no próximo dia 3, foi um dos guerrilheiros que esteve ao lado de Fidel e de Che Guevara em Sierra Maestra em 1958. O grupo depôs o ditador Fulgencio Batista no primeiro dia do ano seguinte e, em seguida, estabeleceu um regime socialista na ilha. Apesar de ser um dos mais jovens do grupo, Raúl tomou decisões difíceis. São atribuídas a ele ordens de execução de agentes da ditadura após a fuga de Batista. Atuando como ministro da Defesa de Cuba durante 50 anos, ele enviou centenas de milhares de militares para lutar pela independência de Angola e de outros países africanos, nas décadas de 1970 e 1980, no maior destacamento de Forças Armadas de um país latino-americano para fora da região. Por décadas, ele permaneceu à sombra de Fidel. Quando seu carismático irmão adoeceu em 2006 e lhe cedeu o poder, Raúl, acostumado a estar nos bastidores, tomou a frente dos holofotes, conduzindo a ditadura cubana até se aposentar em 2021, aos 89 anos, entregando o posto a Miguel Díaz-Canel, o atual líder do regime. Uma vez no poder, “ele nunca tentou imitar a personalidade de seu irmão, construiu sua própria liderança, mais racional e pragmática", afirmou Michael Shifter, presidente do "think tank" Diálogo Interamericano, em uma análise à agência AFP. Após assumir oficialmente a Presidência, em 2008, ele suspendeu as restrições a viagens de cubanos ao exterior e libertou alguns opositores da prisão. Também empreendeu reformas econômicas, permitindo a venda de casas, enquanto muitos passaram a trabalhar no setor privado com a proliferação de pequenos negócios. Em 2014, surpreendeu o mundo ao anunciar o restabelecimento das relações diplomáticas com os Estados Unidos, levando a um degelo que durou apenas até 2016, com a chegada de Donald Trump à Casa Branca pela primeira vez. Pressão sobre a ilha Incidente em meio a tensão entre EUA e Cuba, após a imposição de embargo petrolífero à ilha por Washington CTK Photo/IMAGO via DW Desde a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro, os Estados Unidos vêm pressionando o governo cubano a implementar reformas profundas em seu sistema econômico e regime político. O governo em Havana rejeita as exigências e argumenta com a soberania nacional. Para intensificar a pressão sobre a ilha, Washington impôs, desde então, um embargo petrolífero que exacerbou a crise energética que Cuba já enfrentava. A isso somou-se a ordem executiva assinada em 1º de maio pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que amplia as sanções econômicas, financeiras e comerciais em vigor há mais de seis décadas. Uma agressão militar dos EUA contra a ilha é considerada plausível por especialistas após os acontecimentos na Venezuela e no Irã, e o próprio Trump já falou que Cuba "é a próxima".
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