Pesquisa

    Canal de Denúncias PeloBrasil360

    Use o chat abaixo para enviar denúncias e relatos do seu bairro.

    Conformidade GDPR

    Utilizamos cookies para garantir a melhor experiência no nosso website. Ao continuar a usar o nosso site, aceita a nossa utilização de cookies, Política de Privacidade, e Termos de Serviço.

    Conheça templo luciferiano que usa sangue em rituais e funciona de portas fechadas no interior de SP

    8 hours ago

    Conheça templo luciferiano que usa sangue em rituais e funciona de portas fechadas Em duas salas de um prédio no centro de Piracicaba (SP), o Templo de Lúcifer e Reino de Clauneck funciona de portas fechadas. O espaço, que existe há 10 anos e já passou por outros endereços, serve como base para práticas espirituais privadas e ganhou notoriedade após um vídeo de sua fachada viralizar no TikTok, alcançando 120 mil visualizações. A exposição atraiu curiosidade, mas também uma rotina diária de ameaças e ataques de ódio contra os fundadores. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Piracicaba no WhatsApp Administrado por Juliana Santana (conhecida como Bruxa Jully) e Joel Gomes, o local não é aberto ao público para cultos coletivos. Os atendimentos são remotos e focados em orientação espiritual para "consulentes". O que é o Luciferianismo e o Reino de Clauneck? Fachada de Templo de Lúcifer e Reino de Clauneck, em Piracicaba (SP) Yasmin Moscoski/g1 O luciferianismo não é considerado uma religião, mas uma filosofia de vida sem dogmas ou livros sagrados, onde 'Lúcifer' significa 'portador da luz'. Já Clauneck, a quem o templo também é dedicado, é descrito por Juliana como uma entidade da "corte de Lúcifer" responsável pela prosperidade e riqueza. Os rituais realizados pelos líderes buscam auxílio espiritual e financeiro. Juliana faz questão de esclarecer estigmas associados ao grupo, afirmando que não há sacrifício de animais. As práticas envolvem apenas o uso do sangue dos próprios sacerdotes, coletado da veia. "O sangue representa a vida e é uma forma de mostrarmos ao nosso Deus o quanto o adoramos", explica Juliana. Segundo Brenda Maribel Carranza Dávila, doutora em antropologia e sociologia da religião pela Unicamp, o luciferianismo organizado ganhou força nos anos 1960 como um movimento contracultural. "Satan ou o diabo não aparece como uma divindade cultuada, mas como uma linguagem simbólica de oposição à autoridade religiosa", analisa a antropóloga. A especialista também pontua que a busca pelo dinheiro e prosperidade é um mecanismo comum a quase todos os sistemas religiosos e filosóficos. Intolerância e isolamento O uso de símbolos transgressores, no entanto, gera o que a antropóloga chama de "pânico moral" na sociedade. Esse fenômeno explica a decisão dos fundadores de manterem o local em sigilo e sem acesso público. "Quanto mais agredidos, mais eles se fecham. E quanto mais perseguidos, pode ser que tenham mais seguidores", explica a antropóloga. Juliana relata que as ameaças são diárias e incluem mensagens de ódio e garrafas atiradas contra o prédio. "Ataques são todos os dias. A gente abre o nosso celular do templo e tem ali consulentes pedindo ajuda e pelo menos um, atacando", conta Juliana. Juliana e Joel informaram que mantêm uma equipe de advogados para lidar com as ameaças. "Sempre foram ofensas verbais, tiveram também pessoas chegando até nós, ameaçando a gente de realizar algo contra a gente na rua, se encontrasse a gente. Então, a gente experimentou um pouco dos dois lados", relata Joel. Interior de Templo de Lúcifer e Reino de Clauneck, em Piracicaba (SP) Yasmin Moscoski/g1 Quem são os fundadores Juliana, de 43 anos, informou que iniciou os estudos na magia aos 15, auxiliada pelo avô, imigrante italiano que praticava a stregheria (bruxaria tradicional europeia focada na terra e fertilidade). Já Joel, de 23 anos, é formado em medicina veterinária e foi criado no catolicismo. Ele relata ter encontrado na magia as respostas que não achou na religião de infância para lidar com depressão e ansiedade. Os dois se conheceram em cursos de magia, casaram-se e hoje gerenciam o templo juntos. Interior de Templo de Lúcifer e Reino de Clauneck, em Piracicaba (SP) Yasmin Moscoski/g1 Amparo da Lei Juridicamente, o templo funciona como uma propriedade privada comum e paga seus tributos normalmente, sem isenções, segundo os proprietários. Eles explicaram que isso ocorre porque o templo não atende aos requisitos de prestação de serviço à comunidade. Willians de França Lima, presidente da Comissão de Liberdade Religiosa da OAB em Piracicaba, ressalta que o artigo 5º da Constituição garante a liberdade de consciência, de culto e de prática religiosa no Brasil, que é um Estado laico. O advogado alerta, porém, que as agressões sofridas pelos líderes do templo configuram crime. A intolerância religiosa é enquadrada na Lei do Racismo (Lei 7.716/1989, atualizada em 2023). Praticar ou incitar preconceito religioso pode render de um a três anos de prisão, pena que sobe para dois a cinco anos caso o crime seja cometido em redes sociais. Interior de Templo de Lúcifer e Reino de Clauneck, em Piracicaba (SP) Yasmin Moscoski/g1 *Estagiária sob supervisão de Yasmin Moscoski. VÍDEOS: tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias sobre a região em g1 Piracicaba
    Clique aqui para Ler Mais
    Artigo Anterior
    Com medo de furtos, produtores reforçam segurança e deixam de armazenar café e pimenta no ES
    Artigo Seguinte
    Camisas de futebol viram vestidos e corsets nas mãos de estilista do interior de SP; Anitta e Rafa Kalimann aderem

    Relacionados Notícias do Brasil Atualizações:

    Tem a certeza? Deseja eliminar este comentário..! Remover Cancelar

    Comentários (0)

      Deixe um comentário