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    Condenação traz alívio, mas não repara a dor da gente, diz sobrevivente de atentado que matou Marielle

    3 months ago

    Fernanda Chaves fala sobre prisões no Caso Marielle Única sobrevivente do atentado que assassinou a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes em 2018, a jornalista Fernanda Chaves disse que a responsabilização dos mandantes pelo Supremo Tribunal Federal (STF) vira uma página importante do caso, mas expõe um Rio de Janeiro “completamente ocupado pelo crime”. “O Estado brasileiro demonstrou hoje que esse tipo de crime não pode ser tolerado”, afirmou em entrevista ao J10, da GloboNews. “Mas acho que ainda há muito a fazer. O processo revela um estado de coisas caótico que precisa ser enfrentado. Essa lógica nefasta de crime político e de interesses institucionais precisa ser combatida. No dia de hoje, você começa a dar um passo nesse sentido”, completou. O carro que Chaves ocupava junto a Marielle e Anderson foi atacado com 13 tiros em março de 2018. Os irmãos Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, foram condenados como mandantes do crime a 76 anos e três meses de prisão. Ronald Paulo Alves Pereira, major da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), também cumprirão penas pelas mortes dos dois e pela tentativa de homicídio da então assessora de Marielle. STF em segundo dia de julgamento de suspeitos de mandar matar Marielle Franco Rosinei Coutinho/STF Após a conclusão do julgamento pelo Supremo nesta quarta-feira (25), Fernanda disse se sentir aliviada. “Sem dúvida nenhuma, é uma sensação de alívio. A Justiça só não repara a dor da gente. Ela tem um papel pedagógico e moral, que é simbólico, mas não repara a dor.” “Interromperam um corpo, uma matéria de Marielle. E para a gente que é próximo —amigos, trabalhadores, familiares—, para quem convivia com ela, é uma dor dilacerante essa vida ser interrompida brutalmente como foi”, afirmou a jornalista. Durante a entrevista, Chaves destacou o teor dos votos dos ministros, que abordaram temas como machismo e misoginia na sessão de julgamento. "Esse crime foi pensado, gestado para atacar um campo ideológico da política fluminense. Mas, sem dúvida, ele tem um recorte misógino, de raça e de classe quando a Marielle é escolhida", avaliou. “O que eu tiro disso tudo é que essas pessoas vão passar o resto das vidas delas ouvindo [sobre] a Marielle. Nesse sentido, a Marielle vive. Vive em muitas mulheres. Teremos Marielle para sempre”, diz Fernanda Chaves. Condenações A Primeira Turma do STF condenou os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão a 76 anos e 3 meses de prisão por planejar e mandar matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, em março de 2018, no Rio de Janeiro. Eles também terão de pagar R$ 7 milhões em reparação de danos para familiares das vítimas. Durante o julgamento, a turma do STF concordou parcialmente com a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR). A única divergência foi em relação a Rivaldo Barbosa, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Ele foi absolvido do crime de homicídio qualificado por "dúvida razoável", mas acabou condenado por corrupção passiva e obstrução de justiça, por ter recebido dinheiro da milícia para atrapalhar as investigações. Ao todo, foi condenado a 18 anos de prisão.
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