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    Com ilustração inspirada em Chico Mendes, Acre é homenageado por artista de Minas Gerais

    11 hours ago

    Ilustrador homenageia Chico Mendes ao criar personagem inspirado no Acre Criar uma mitologia inspirada na história e na cultura brasileira foi a proposta que levou o ilustrador mineiro Bernardo Barbosa, de 25 anos, a desenvolver o personagem Chico, inspirado no Acre. No Projeto Panteão Brasileiro, que transforma cada estado em uma figura mitológica, ele decidiu homenagear o líder seringueiro Chico Mendes e incorporar elementos como os geoglifos, a cultura seringueira e o fuso horário acreano. ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp ⏩Chico Mendes foi assassinado em 1988, em Xapuri, e tornou-se um dos principais símbolos da luta pela preservação da Amazônia e pelos direitos dos povos da floresta, com reconhecimento dentro e fora do Brasil. Na ilustração, um homem aparece vestido com roupas semelhantes a de um seringueiro, usa chapéu, um manto atrás das costas, no cinturão há ferramentas usadas na floresta antigamente com as cores da bandeira do Acre e nas mãos ele carrega um lampião em formato de luz cheia. Outro detalhe que chama atenção na ilustração é que na calça de Chico há desenhos dos geglifos. Segundo Bernardo, Chico é o deus da lua do estado acreano. "Ele também é a entidade que governa as noites do Norte e vigia o último pedaço do Brasil a receber a luz do sol. Enquanto o restante do país já desperta sobre o amanhecer de Maraúba, o Acre ainda repousa vivendo em um fuso diferente", narra Bernardo no vídeo de divulgação do trabalho. Personagem criado por Bernardo Barbosa homenageia Chico Mendes e reúne referências aos geoglifos, à cultura seringueira e à floresta amazônica Arquivo pessoal Inspiração Natural de Ressaquinha (MG) e formado em design gráfico, o jovem contou ao g1 que a ideia do projeto surgiu da vontade de criar personagens inspirados em referências nacionais, assim como outras culturas têm suas próprias mitologias. "Faz parte do meu projeto, onde desenho um deus para cada estado do Brasil. A minha ideia é criar uma mitologia brasileira mesmo, sabe? Igual a gente sempre se inspira e fala de Zeus, Poseidon ou Thor, eu quero falar de deuses brasileiros, como Chico", disse. Para construir o personagem acreano, o ilustrador afirma que pesquisou a história da criação do estado, aspectos culturais e personalidades marcantes. "Eu pesquisei muito a história do estado, pontos culturais e figuras importantes e selecionei as que encaixariam melhor no personagem", explicou. LEIA MAIS: Saiba quem foi Chico Mendes, líder seringueiro morto há 33 anos por fazendeiros no interior do Acre VÍDEO: Seu Jorge visita reserva no AC e se reúne com líder ambientalista e primo de Chico Mendes 'Eu também era marcado para morrer', diz primo de Chico Mendes Durante esse processo, Bernardo Barbosa disse que a trajetória de Chico Mendes chamou sua atenção e a homenagem surgiu de forma espontânea. "Na minha pesquisa descobri a importância de Chico Mendes para o Acre, mas também para a história do Brasil como um todo. Normalmente eu invento o nome do deus e crio um significado, mas, para esse, o nome Chico ficou na minha cabeça desde o início. E como temos tantos Chicos no Brasil e é um apelido tão querido, quis fazer essa homenagem'', relatou. Ilustrador mineiro Bernardo Barbosa, de 25 anos, pesquisou a história e a cultura do Acre para desenvolver o personagem Arquivo pessoal Além da referência ao ambientalista, o personagem reúne elementos que remetem à identidade do estado. Entre eles estão os geoglifos, estruturas arqueológicas encontradas no Acre, as vestimentas inspiradas na cultura seringueira e a relação com a floresta. Bernardo explica que a escolha de representar o personagem como o 'Deus da Lua' surgiu antes mesmo da pesquisa sobre os demais elementos. "Desde o início eu sabia que ele seria o deus da Lua porque a Paraíba tem a deusa do Sol, Maraúba, que é onde o sol nasce primeiro no país. Então, onde o sol nasce por último seria o deus da Lua. Esse era o meu ponto de partida. Os outros elementos vieram muito naturais porque foram o que mais gostei do estado. Os geoglifos eu não conhecia e fiquei apaixonado, e a cultura seringueira jamais poderia ficar de fora', destacou. Processo de criação De acordo com o jovem, o processo de pesquisa e produção da obra levou cerca de uma semana. Embora não tenha conversado diretamente com acreanos antes de finalizar a criação, ele afirma que costuma levar em consideração sugestões feitas pelo público nas redes sociais. "Não procurei ninguém para conversar em específico, mas nos meus comentários sempre tinha alguém dando uma dica sobre o estado onde mora. Então, me baseio muito nas opiniões do meu público, que faz questão de participar'', pontuou. Personagem criado por Bernardo Barbosa homenageia Chico Mendes e reúne referências aos geoglifos, à cultura seringueira e à floresta amazônica Arquivo pessoal Ao desenvolver o personagem inspirado no Acre, Bernardo diz que também buscou evitar representações estereotipadas sobre o estado. "Recebi alguns comentários quando ficou pronto falando: 'Ah, cadê os dinossauros?'. E foi exatamente disso que quis fugir. Quis mostrar aspectos do estado que eu mesmo não conhecia e eram muito mais interessantes do que o estereótipo. Sempre recebo comentários positivos de como as pessoas aprendem com os meus vídeos sobre a história de outros estados'', completou. 🌳Quem foi Chico Mendes? Francisco Alves Mendes Filho, conhecido como Chico Mendes, nasceu em Xapuri, no interior do Acre, e se tornou uma das principais lideranças dos seringueiros na defesa da floresta amazônica e dos direitos das populações tradicionais. Ao longo da década de 1980, ganhou projeção nacional e internacional ao defender um modelo de desenvolvimento baseado no extrativismo sustentável e na conservação da Amazônia. Ambientalista Chico Mendes foi morto em 1988 no AC Reprodução Além da atuação como líder sindical, Chico Mendes ficou conhecido pela organização dos chamados "empates", manifestações pacíficas em que seringueiros impediam o avanço do desmatamento e da derrubada da floresta. O ativista denunciava conflitos fundiários e ameaças sofridas por trabalhadores rurais na região. O ambientalista foi assassinado com um tiro de escopeta em 22 de dezembro de 1988, aos 44 anos, enquanto saía para tomar banho nos fundos da casa onde morava, em Xapuri. O fazendeiro Darly Alves da Silva e o filho dele, Darci Alves Ferreira, foram condenados pelo crime como mandante e executor, respectivamente. Casa Chico Mendes, em Xapuri, interior do Acre Melícia Moura/CBN Amazônia Rio Branco A morte de Chico Mendes provocou repercussão mundial e transformou o líder seringueiro em um dos maiores símbolos da luta pela preservação da Amazônia. Atualmente, o legado é mantido por familiares e instituições ligadas à defesa do meio ambiente. A maior reserva extrativista do Acre leva o nome do ambientalista, e a casa onde ele viveu, em Xapuri, é tombada como patrimônio histórico. VÍDEOS: g1
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