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    Com candidato de direita na frente, eleições na Colômbia vão para o 2º turno

    8 hours ago

    Candidatos governista e de extrema direita são favoritos no primeiro turno da eleição presidencial na Colômbia Nenhum candidato conseguiu vencer a eleição presidencial da Colômbia em primeiro turno neste domingo (31). Com 98% das urnas apuradas, o candidato de direita Abelardo de la Espriella terminou na liderança com 43,7% dos votos, seguido pelo esquerdista Ivan Cepeda, que obteve 40,90%, e disputará o segundo turno em 21 de junho. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Os dois candidatos apareciam como favoritos para a disputa presidencial. Cepeda, que liderava as pesquisas, promete dar continuidade às políticas sociais do governo Gustavo Petro — atual presidente do país. A gestão de esquerda recebeu a economia fragilizada pela pandemia, mas conseguiu aumentar o salário mínimo nominal em 75% e reduzir o desemprego. As medidas, no entanto, ampliaram o déficit fiscal e levantaram preocupações sobre a capacidade do governo de financiar programas sociais. O Congresso chegou a barrar algumas propostas de Petro. Mesmo assim, a economia não aparece entre as maiores preocupações dos eleitores. Pesquisa do instituto Invamer divulgada neste mês mostra que 40% da população aponta a segurança pública como principal problema do país. Desemprego e economia aparecem apenas em quarto lugar, com 11%. Foi nesse cenário que De la Espriella ganhou força na disputa. Eleições na Colômbia: Abelardo de la Espriella (à esquerda) e Ivan Cepedo (à direita). Reuters Criminalidade O combate ao crime dominou a campanha presidencial. Cepeda afirma ter experiência para lidar com o tema por ter participado das negociações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), acordo assinado em 2016. As Farc são uma guerrilha considerada terrorista pelos EUA e surgiram na década de 1960. O conflito travado pelo grupo contra paramilitares e forças estatais ao longo de cinco décadas deixou mais de 250 mil mortos e provocou o deslocamento de milhões de pessoas. O acordo mediado com a ajuda de Cepeda em 2016 levou as Farc a aceitarem o desarmamento. Mesmo assim, grupos dissidentes continuam ativos e são apontados como responsáveis por parte da violência no país. Na quinta-feira (28), por exemplo, um confronto entre duas facções dissidentes das Farc deixou 52 rebeldes mortos na Amazônia colombiana. Os grupos criminosos disputam controle territorial em áreas do país, além de lucros ligados ao narcotráfico e à mineração ilegal. Cepeda quer voltar a apostar no diálogo para enfrentar o problema, mas opositores afirmam que isso não será suficiente. Políticos de direita dizem que a política de “paz total” fracassou e que organizações armadas aproveitam as negociações para se fortalecer. O candidato ultradireitista De la Espriella, admirador das políticas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, promete combater a criminalidade com uma ofensiva militar. Ele também defende a construção de 10 megaprisões. “No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei”, afirmou. Preocupações Agentes de segurança fazem a guarda na rua antes do primeiro turno da eleição presidencial na Colômbia, em 29 de maio de 2026 REUTERS/Luisa Gonzalez Além das divergências sobre segurança pública, a campanha também levantou preocupações sobre o impacto das propostas dos favoritos sobre as instituições democráticas do país. Em entrevista à RFI, o economista e analista político Jorge Restrepo, da Universidade Javeriana de Bogotá, afirmou que candidatos tanto da esquerda quanto da ultradireita têm adotado discursos que, segundo ele, podem representar riscos ao sistema democrático colombiano. Restrepo cita como exemplo declarações do ultradireitista Abelardo de la Espriella, que questiona garantias judiciais, direitos humanos e a livre iniciativa ao defender uma política de repressão mais agressiva contra o crime. “O discurso de linha dura pode esconder traços de autoritarismo”, afirmou. O analista também demonstrou preocupação com propostas de Cepeda. O candidato de esquerda defende a convocação de uma Assembleia Constituinte para alterar a Constituição caso o Congresso rejeite reformas sociais apresentadas por seu governo. “Ou seja, se um dos poderes não aceitar essas reformas, ele quer se impor com uma nova Constituição”, disse. Independentemente de quem vencer a eleição, o próximo presidente pode enfrentar dificuldades para governar. As eleições legislativas de março mostraram que o Congresso continuará fragmentado, como ocorreu durante o governo Petro. O Pacto Histórico, partido de Petro e Cepeda, voltou a ser a maior força política, mas ficou longe de conquistar maioria própria. O Centro Democrático, legenda de Paloma Valencia, ampliou a representação, enquanto partidos tradicionais e de centro mantiveram espaço relevante. O resultado indica que o próximo presidente dependerá de negociações constantes para aprovar projetos e reformas. Veja fotos das eleições na Colômbia Um membro da Guarda Indígena Nasa segura material de campanha no dia da eleição presidencial, em Corinto, na Colômbia. Jair Coll/Reuters Membros da Guarda Indígena Nasa se preparam para distribuir material de campanha no dia da eleição presidencial, em Corinto, na Colômbia. Jair Coll/Reuters Membros da Guarda Indígena Nasa distribuem material de campanha no dia da eleição presidencial, em Corinto, na Colômbia. Jair Coll/Reuters Uma pessoa passa por uma placa no centro de votação de Corferias, durante o primeiro turno da eleição presidencial, em Bogotá, Colômbia. Enea Lebrun/Reuters Trabalhadores colam cartazes de campanha do Pacto Histórico no dia da eleição presidencial, em Corinto, Colômbia. Jair Coll/Reuters Funcionários de uma seção eleitoral se reúnem em frente à Escola CELCO San Lucas, onde o candidato presidencial Iván Cepeda votará no primeiro turno da eleição presidencial, em Bogotá, Colômbia. Luisa Gonzalez/Reuters VÍDEOS: agora no g1 Agora no g1
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