Pesquisa

    Canal de Denúncias PeloBrasil360

    Use o chat abaixo para enviar denúncias e relatos do seu bairro.

    Conformidade GDPR

    Utilizamos cookies para garantir a melhor experiência no nosso website. Ao continuar a usar o nosso site, aceita a nossa utilização de cookies, Política de Privacidade, e Termos de Serviço.

    Cirurgia em paciente errada: o que se sabe sobre o caso da idosa que morreu 3 dias após operação em Campinas

    11 hours ago

    O que se sabe sobre caso da idosa que morreu 3 dias após passar por cirurgia por engano Jandira Marina Dias Braga, de 76 anos, morreu três dias após passar por uma cirurgia destinada a outro paciente no Hospital Beneficência Portuguesa, em Campinas (SP). A idosa estava internada para tratar uma obstrução no intestino, consequência do retorno de um câncer de cólon. O procedimento ocorreu em 8 de junho, mas a Polícia Civil começou a investigar, nesta quinta-feira (23), quem são os responsáveis pela troca de pacientes e se o procedimento teve relação direta com a piora do quadro e morte da idosa. O hospital admitiu o erro, disse que abriu uma sindicância interna e que foram adotadas medidas administrativas contra os profissionais envolvidos, incluindo demissões. Disse também que uma avaliação médica e técnica concluiu que a cirurgia "não alterou o prognóstico da paciente". 📌 Clique e saiba o que já se sabe sobre o caso, abaixo: Quem era a paciente? Por que ela estava internada? Qual cirurgia foi feita por engano? Quando o erro foi descoberto? O que aconteceu depois da cirurgia? O que diz a família? O que diz o hospital? Quem investiga o ocorrido? Cronologia do caso 1. Quem era a paciente? Quem era idosa que morreu 3 dias após passar por cirurgia por engano: 'Muito querida' A família conta que Jandira Marina Dias Braga, de 76 anos, era o centro das reuniões familiares. "Ela era a pessoa que unia todo mundo, casa de vó. Então, hoje, o que eu sinto só é um vazio, um silêncio, e a falta de um colo, que eu sei que era o melhor do mundo", disse a neta da vítima, a dentista Camila Dias Barozzi. "Minha avó era uma pessoa muito boa e muito querida. Eu acho que a última vontade que foi de não deixar ela sofrer foi o que a gente fez [...] o importante é que a gente não queria ver ela sofrer em cima de uma cama de hospital. Acho que ela está num um lugar bem melhor", contou a neta. 2. Por que ela estava internada? Jandira Marina Dias Braga, de 76 anos, morreu três dias após passar por uma cirurgia destinada a outro paciente no Hospital Beneficência Portuguesa, em Campinas (SP). Arquivo pessoal Há 12 anos, Jandira venceu um câncer de cólon após passar por cirurgia, usar bolsa de colostomia e fazer quimioterapia. Em maio de 2026, novos exames indicaram um novo câncer primário, sem metástase. Jandira estava internada para tratar uma obstrução no intestino, consequência da volta do câncer de cólon. Segundo a neta, ela foi internada no Hospital Beneficência Portuguesa porque a bolsa de colostomia que usava parou de funcionar e estava com fortes dores abdominais Ela deu entrada no Pronto Atendimento do Hospital Beneficência Portuguesa no dia 7 de junho de 2026, às 14h44, e ficou no pronto-socorro em um leito de observação. Enquanto estava internada para resolver a obstrução, ela aguardava a definição da equipe médica sobre o tratamento. 3. Qual cirurgia foi feita por engano? Na noite de 8 de junho, Jandira foi submetida a uma gastrostomia endoscópica, um procedimento que consiste na abertura de um buraco na parede do estômago para a colocação de uma sonda de alimentação ou drenagem. Segundo Fernando Maluf, cofundador do Instituto Vencer o Câncer, esse procedimento é indicado para: tratar tumores na região abdominal, mas não necessariamente no intestino pacientes com câncer de cabeça e pescoço, quando a inflamação causada pela radioterapia ou pela quimioterapia dificulta a deglutição situações paliativas, quando o paciente não consegue mais se alimentar por via oral O tratamento do câncer de intestino segue um caminho diferente. Ele envolve a retirada do tumor e do tecido ao redor da lesão. Depois da cirurgia, é feito o estadiamento, que avalia a extensão da doença. ➡️ É esse resultado, somado ao tipo de tumor identificado, que define se o paciente vai precisar de tratamentos complementares, como quimioterapia ou imunoterapia. A decisão varia de acordo com cada caso. De acordo com a família de Jandira, no caso dela ainda não havia a decisão de uma conduta. Ela estava internada por causa da piora do quadro de saúde, mas não havia a decisão médica sobre como o câncer iria ser tratado. 4. Quando o erro foi descoberto? Paciente passa por cirurgia destinada a outra pessoa e morre 3 dias depois em hospital A troca só foi descoberta depois da cirurgia, durante a passagem de plantão, quando funcionários notaram que a paciente correta continuava no quarto e conferiram a pulseira de identificação de Jandira. A cirurgia começou às 18h45 e terminou às 19h20. Camila contou que a família foi chamada para uma reunião com integrantes da direção do hospital depois do ocorrido — assista ao relato completo da família acima. "Quando a gente chegou lá, estava o diretor clínico e a diretora do centro cirúrgico. Ele falou que nunca tinha acontecido isso na carreira dele e que minha avó tinha sido levada ao centro cirúrgico, e feito uma cirurgia no lugar de uma outra paciente", afirmou a neta. 5. O que aconteceu depois da cirurgia? Os registros médicos apontam que, na manhã de 9 de junho, a idosa apresentou confusão mental, hipotensão, queda da saturação de oxigênio e alteração do ritmo cardíaco, sendo transferida para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). "Ela já começou a voltar esse líquido com aspecto de fezes e vomitar. [...] Já começou a ter taquicardia, já começou a ter sinais de sepse logo após o processo cirúrgico. Foi então que o quadro clínico dela decaiu muito", disse a neta. A equipe médica passou a investigar hipóteses como sepse e tromboembolismo pulmonar. Então, familiares e médicos decidiram adotar cuidados paliativos, sem medidas invasivas. Jandira morreu às 19h30 de 11 de junho, três dias após passar pelo procedimento por engano. 6. O que diz a família? Em sua primeira manifestação, a neta afirmou que acionaria a Justiça para responsabilizar os envolvidos e exigir mudanças nos protocolos de segurança do hospital para evitar que o erro se repita com outras pessoas. A família registrou o caso na Polícia Civil nesta quinta-feira (23). A neta de Jandira também afirmou que o diretor do hospital alegou que a idosa teria obtido um "benefício clínico" com o procedimento realizado por engano, pois permitiu que fluidos associados à obstrução do intestino fossem drenados. Camila contesta a alegação de que o procedimento trouxe benefícios. Para a família, o agravamento foi consequência do procedimento. 7. O que diz o hospital? Hospital Beneficência Portuguesa, em Campinas Luciene Beck O Hospital Beneficência Portuguesa admitiu o erro e informou que abriu uma sindicância interna para apurar o caso. Também informou que foram adotadas medidas administrativas contra os profissionais envolvidos, que incluíram desligamentos. De acordo com o hospital, uma avaliação médica e técnica realizada após o ocorrido concluiu que o procedimento não alterou o prognóstico da Jandira. 8. Quem investiga o caso? A Polícia Civil investiga quem são os responsáveis pela cirurgia realizada por engano em Jandira e se o procedimento teve relação com a morte. O caso é apurado em um inquérito instaurado no 1º Distrito Policial de Campinas como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Os investigadores devem ouvir os profissionais que participaram do atendimento da idosa, desde a internação até a realização da cirurgia, para esclarecer como ocorreu a troca de pacientes e qual foi a atuação de cada um no caso. A neta da vítima foi a primeira pessoa a prestar depoimento à Polícia Civil, nesta quinta-feira (23). Ainda não há prazo para a conclusão das investigações. O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) instaurou uma sindicância para apurar a conduta dos médicos envolvidos na cirurgia realizada por engano. O Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) também abriu procedimentos para investigar o caso. O Hospital Beneficência Portuguesa instaurou uma investigação própria para apurar os fatos. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas. Veja mais notícias da região na página do g1 Campinas.
    Clique aqui para Ler Mais
    Artigo Anterior
    Homem refez o piso de casa após enterrar e esconder corpo da esposa no ES: 'Túmulo bem feito', diz delegado
    Artigo Seguinte
    Gelo nos testículos e doação de sangue: os mitos vendidos a homens que buscam 'melhorar' qualidade do esperma

    Relacionados Notícias do Brasil Atualizações:

    Tem a certeza? Deseja eliminar este comentário..! Remover Cancelar

    Comentários (0)

      Deixe um comentário