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    Cientistas apontam limite crítico para salvar preguiça ameaçada no Brasil

    4 days ago

    Sem rotas seguras e conexões entre fragmentos de floresta, a preguiça-de-coleira entra em contato frequente com as cidades, estradas, residências e mais. Instituto Preguiça-de-coleira O avanço da ocupação humana tem exigido cada vez mais resiliência da vida silvestre. Um estudo publicado na revista científica Global Ecology and Conservation apontou a necessidade de mais ambientes florestados para garantir a sobrevivência da preguiça-de-coleira-do-nordeste (Bradypus torquatus) nas cidades. 📱 Receba conteúdos do Terra da Gente também no WhatsApp A espécie é uma das mais ameaçadas da Mata Atlântica e tem no Litoral Norte da Bahia um de seus últimos refúgios naturais. Das sete espécies de preguiça existentes no mundo, seis ocorrem no Brasil — incluindo a preguiça-de-coleira-do-nordeste, classificada como "em perigo de extinção" (EN) na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A pesquisa analisou a presença do animal na região de Praia do Forte, no município de Mata de São João (BA). Para isso, os cientistas utilizaram drones térmicos e modelos matemáticos de ocupação (um método estatístico usado para estimar a ocorrência de uma espécie). Os resultados indicaram que, em áreas urbanas e zonas de transição entre a cidade e a mata, a preguiça só consegue se manter quando pelo menos 50% da cobertura florestal é preservada em unidades de 10 hectares. Em contrapartida, nas áreas rurais, o limite mínimo observado cai para cerca de 35%. Extensas áreas de Mata Atlântica têm sido suprimidas na região de Praia do Forte, Bahia, para a construção de condomínios, reduzindo a quantidade do habitat da preguiça-de-coleira-do-nordeste e comprometendo a persistência desta ameaçada e importante população. Divulgação VIU ISSO? Maior águia das Américas é flagrada devorando presa em registro inédito na Bahia Biólogo filma vespa 'cavalo-do-cão' predando aranha-caranguejeira Irara com mutação genética é registrada na beira da estrada no AM Os perigos da cidade Segundo o pesquisador Gastón Andrés Fernandez Giné, autor principal do estudo e vice‑presidente do Instituto Preguiça‑de‑Coleira (IPDC), essa diferença percentual ocorre porque o ambiente urbano expõe o animal a muito mais riscos, exigindo uma área florestal maior para que ele viva em segurança. "Em ambiente urbano tem mais rua, casa, condomínio, cerca, e fio elétrico, o que dificulta a movimentação das preguiças e aumenta muito as mortes por choques na rede elétrica, atropelamentos, ataques de cães, maus-tratos e animais que ficam presos em cercas farpadas", afirma o pesquisador. A pesquisa também destaca que a ocorrência do mamífero funciona como um ótimo indicativo da "saúde" da paisagem na Mata Atlântica, pois a presença do bicho está diretamente ligada à quantidade de floresta, à conectividade entre os fragmentos e ao tipo de uso do solo no entorno. Sem rotas seguras e conexões entre fragmentos de floresta, a preguiça-de-coleira entra em contato frequente com as cidades, estradas, residências e mais. Instituto Preguiça-de-coleira Expansão imobiliária O estudo foi conduzido em uma região muito impulsionada pelo turismo e por empreendimentos imobiliários, enfrentando uma expansão urbana acelerada que avança sobre importantes remanescentes florestais e corredores ecológicos. Veja o que está em alta no g1, hoje: Vídeos em alta no g1 Para Gastón, existe um forte descompasso entre a velocidade dessa ocupação habitacional e o tempo das regulações ambientais. Ele aponta que a legislação atual ainda permite a supressão de áreas essenciais para a manutenção da espécie. "Apenas no mês passado (março), cerca de 30 preguiças-de-coleira foram resgatadas de uma área de aproximadamente 40 hectares desmatados — um processo que ocorreu dentro da legalidade e sem a adoção de medidas efetivas para manutenção do problema", exemplifica o pesquisador. Os cientistas ressaltam que o avanço urbano não precisa ser incompatível com a conservação, mas o modelo atual tem se mostrado insuficiente para garantir a sobrevivência da espécie a longo prazo. O resgate de preguiças-de-coleira tem se tornado rotina para o Instituto Preguiça-de-coleira, especialmente na zona urbana e em áreas desmatadas para a construção de condomínios em modelos de ocupação que comprometem a persistência da espécie Instituto Preguiça-de-coleira Embora os corredores ecológicos sejam importantes, sozinhos eles não resolvem o problema. A manutenção da cobertura florestal, a conectividade entre as áreas verdes e a adaptação inteligente da infraestrutura urbana são medidas essenciais. Para o vice-presidente do IPDC, é urgente revisar os critérios de licenciamento ambiental e incorporar medidas específicas para a espécie, visando reduzir os impactos. "Ainda dá tempo de planejar e fazer medidas que evitem a extinção local da espécie, mas é preciso maior compromisso das instituições responsáveis", finaliza. Para saber mais sobre o Instituto Preguiça-de-coleira, veja o site da organização aqui. *Sob supervisão de Rodrigo Peronti. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente
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