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    Churrasco, cerveja e torcida mais caros: veja a alta dos preços no mercado desde a última Copa do Mundo, em 2022

    11 hours ago

    Alta da carne pesa no churrasco da Copa O churrasco pode ficar mais salgado para a torcida brasileira este ano — e não apenas por causa da carne. Itens comuns em reuniões para torcer pelo Brasil em jogos da seleção acumulam um aumento superior ao da inflação, de cerca de 12%, registrada desde a última Copa do Mundo, em 2022. Para encher a grelha, só a linguiça não ficou mais cara. O frango teve alta de 18%, o pão de alho, de 15%, e a carne bovina, de 9%. Salsicha enlatada e petiscos tiveram as maiores variações desde a última Copa via BBC As bebidas também acompanham essa tendência: o preço da cerveja subiu 19% desde 2022, enquanto refrigerantes e sucos registraram aumentos ainda maiores, de 30% e 32%, respectivamente. Itens mais populares seguiram a mesma variação. A salsicha enlatada teve alta de 26%; os petiscos, como chips, ficaram 21% mais caros; a pipoca de micro-ondas subiu 20%; os lanches prontos, 19%; e o amendoim, 17%. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 As estimativas foram feitas, a pedido da BBC News Brasil, pela Scanntech, empresa referência no setor varejista para compilar e analisar cupons fiscais emitidos por mercados de pequeno, médio e grande porte em todo o país. Os valores podem variar por diversos fatores, desde a localização e a rede de supermercado escolhida pelo consumidor até a marca dos produtos e, no caso da carne bovina, o corte adquirido. Por isso, a empresa prefere não divulgar os preços médios de cada item. Os aumentos percentuais são valores aproximados, calculados a partir de uma base de cupons fiscais que, segundo a Scanntech, contempla as emissões de três em cada quatro estabelecimentos do setor. Sucos e refrigerante tiveram as maiores variações desde a última Copa via BBC Consumo não deve cair, mas cesta de compras deve mudar Porta-voz e diretora de marketing da Scanntech, Priscila Ariani diz não acreditar que o consumo voltado para a Copa vá cair por causa da alta dos preços. Pelo contrário: desta vez, a maioria dos jogos acontece à noite para os brasileiros, o que pode intensificar os encontros e facilitar a participação de quem normalmente não consegue deixar o trabalho para acompanhar uma partida realizada no meio da tarde, por exemplo. Mas a cesta média de compras para uma reunião diante da televisão deve mudar, acrescenta ela. Segundo as estimativas da Scanntech, que fornece aos supermercados dados de inteligência para impulsionar o faturamento, a expectativa do setor é que as churrasqueiras tenham mais frango do que carne bovina. Isso se deve a vários fatores. O primeiro, afirma a executiva, é que, embora o frango tenha registrado uma alta média de preços superior à da carne bovina, ele ainda custa muito menos e, diante do endividamento e da perda do poder de compra das famílias, tende a ter maior procura. Mas há também razões que vão além do preço. Entre elas está o fato de o frango ser menos gorduroso. A característica, diz Ariani, agrada tanto quem busca fontes de proteína consideradas mais saudáveis quanto pessoas em tratamento com canetas emagrecedoras, conhecidas por provocar enjoos quando o paciente consome cortes gordurosos — em geral bovinos, mesmo os nobres, devido à gordura intramuscular. "O consumo mudou muito ao longo desses quatro anos, a gente teve crescimentos exponenciais da vertente de saúde. A proteína é a vedete da vez, né? Só se fala em proteína", ela diz. Essa preocupação com hábitos saudáveis pode parecer paradoxal quando se fala de uma cesta de compras voltada à socialização, reconhece a executiva. Ainda assim, ela afirma que é possível manter produtos associados à celebração sem abandonar os cuidados com a alimentação. Nesse contexto, a Scanntech observa, por exemplo, um aumento no consumo de cervejas light, que costumam ter preço mais elevado, mas ao mesmo tempo são ingeridas em menor quantidade. O que explica a alta dos preços Para André Braz, coordenador dos Índices de Preços da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e especialista em política monetária e inflação, é difícil explicar de forma generalizada o aumento dos valores desses produtos. Diversos fatores influenciam a formação dos preços, explica ele. O primeiro é a própria demanda. Quando a procura aumenta, como costuma ocorrer às vésperas e durante grandes torneios esportivos, os valores tendem a subir. O diagnóstico é reforçado por um estudo da Scanntech, que registrou vendas, em média, 24% maiores nos dias que antecederam jogos da Copa de 2022 e de competições disputadas no ano passado, como o Mundial de Clubes, a Copa Intercontinental e a Libertadores. Mas há fatores que vão além da demanda, especialmente no mercado de carne bovina, que enfrenta uma restrição de oferta ao mesmo tempo em que as exportações seguem aquecidas, diz o economista. O Brasil bateu recorde de exportações de carne bovina in natura no ano passado, mesmo com as sobretaxas impostas pelo presidente americano Donald Trump. LEIA TAMBÉM Preço dos alimentos em maio: o que ficou mais caro e o que barateou no mês Foram 3,50 milhões de toneladas embarcadas, alta de 20,9% em relação a 2024, e US$ 18,03 bilhões movimentados, o equivalente a cerca de 40,1% a mais do que o faturado no ano anterior, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que compilou os dados com base em informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Mas o especialista afirma que existe, sim, um elemento comum a todos esses produtos e que contribui para encarecer quase tudo nas prateleiras dos supermercados: a logística. "O setor de bebidas, por exemplo, enfrenta custos importantes relacionados a embalagens, logística e distribuição. Insumos como alumínio, vidro, plástico e transporte têm peso significativo na formação dos preços e podem pressionar reajustes acima da inflação média", ele diz. A alta dos preços no mercado desde a última Copa do Mundo, em 2022 via BBC
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