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    Caso Marielle: em voto, Moraes destaca motivação política do crime, misoginia e racismo

    3 months ago

    STF começa a julgar os acusados de mandar executar Marielle Franco e Anderson Gomes A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta quarta-feira (25) o julgamento dos acusados de mandar matar a ex-vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes. O segundo dia de julgamento começou com o voto do relator, ministro Alexandre de Moraes. No início do voto, Moraes rejeitou as questões preliminares apresentadas pelas defesas. As questões preliminares servem para contestar aspectos técnicos do processo e tentam anular o procedimento sem entrar no mérito da acusação. “Eu já, desde logo, afasto as preliminares de incompetência do STF, de inépcia da inicial, de inexistência de justa causa, também afasto a preliminar em relação à nulidade da colaboração premiada”. Moraes destacou a motivação política do crime e também ações de queima de arquivo que, segundo o ministro, são caracterizadas pela atuação de milícias. "Se juntou a questão política com misoginia, com racismo, com discriminação. Marielle era uma mulher preta, pobre, que estava peitando os interesses de milicianos. Qual o recado mais forte que poderia ser feito? E na cabeça misógina de executores, quem iria ligar pra isso?", afirmou o ministro. O relator também mencionou que os acusados não esperavam ser responsabilizados. "Numa cabeça de 50, 100 anos atrás, vamos executá-la e não terá repercussão. Eles não esperavam tamanha repercussão. E a partir disso uma série de execuções", prosseguiu. Na sequência, votam os ministros Cristiano Zanin, Carmen Lúcia e o presidente da Turma, Flávio Dino. São acusados pelo crime: Domingos Inácio Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do RJ. Duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves; João Francisco Inácio Brazão, deputado cassado. Duplo homicídio qualificado e pela tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves; Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do RJ; duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves; Ronald Paulo Alves Pereira, major da Polícia Militar; duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves; Robson Calixto Fonseca, policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão; organização criminosa. Nesta segunda, a Procuradoria Geral da República (PGR) pediu a condenação dos cinco réus pelos crimes pelos quais foram denunciados. Em sua exposição, a PGR argumentou que os irmãos Brazão comandavam uma organização criminosa que se caracterizava pela ocupação de terras, com “marcas claras de atividades de grilagem”, e viram em Marielle uma ameaça à continuidade dos negócios e aos seus currais eleitorais. Já as defesas dos cinco réus pediram a absolvição dos acusados por falta de provas e argumentaram que a denúncia da procuradoria se sustentou apenas na delação premiada de Ronnie Lessa. Veja como foi o 1º dia de julgamento dos acusados de mandar matar Marielle O caso Em junho de 2024, o Supremo tornou réus os acusados. Domingos, Rivaldo, Ronald e Robson Calixto estão presos preventivamente diante do risco de atrapalharem as investigações. No ano passado, Chiquinho Brazão foi autorizado a cumprir prisão domiciliar diante do diagnóstico de graves comorbidades. Segundo a Procuradoria-geral da República, o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro Domingos Brazão e o irmão, o deputado federal Chiquinho Brazão, sem partido, foram os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018.A assessora Fernanda Chaves ficou ferida. Também foram denunciados o delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio Rivaldo Barbosa, acusado de ajudar a planejar o crime, e o policial militar Ronald Paulo de Alves, acusado de acompanhar os deslocamentos de Marielle. Já o ex-assessor Robson Calixto Fonseca, conhecido como Peixe responde por integrar a organização criminosa com os irmãos Brazão. De acordo com a acusação, o motivo foi a atuação política da vereadora para atrapalhar interesses dos irmãos Brazão, entre eles, a regularização de áreas comandadas por milícias no Rio de Janeiro. O caso chegou ao Supremo em 2024, como revelou o g1 na época. Isso por conta da da delação premiada do ex-PM Ronnie Lessa. O acordo foi fechado com a Polícia Federal e teve o aval do Ministério Público Federal e do Rio de Janeiro. O ponto de partida da investigação sobre os mandantes foi justamente a delação do ex-policial militar. - Esta reportagem está em atualização
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