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    Caso Gustavo: mãe teve gravidez marcada por conflitos com pai suspeito de matar criança, diz delegado

    6 hours ago

    Pai e madrasta de Gustavo Veloso são presos A gravidez de Sabrina da Silva Feitosa foi marcada por conflitos com o pai da criança, o advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa, segundo o delegado responsável pelo caso, Eduardo Menezes. Sabrina é mãe de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, morto na casa do pai no último domingo (2). Igor e a atual companheira dele, Kathellen Moreira, madrasta do menino, estão presos pela suspeita da morte. Os pais do menino viviam uma disputa judicial, e a morte ocorreu enquanto Gustavo passava o fim de semana com o pai. O laudo pericial, ao qual o g1 teve acesso, aponta que Gustavo sofreu hemorragia interna e apresentava marcas de agressões no rosto e laceração intestinal. Igor e Kathellen Moreira vão responder por homicídio duplamente qualificado e tortura. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (6), o delegado da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Eduardo Menezes, informou que a oitiva da mãe da criança foi um dos momentos mais marcantes e difíceis da investigação. Em seu relato, ela descreveu que a relação com o investigado foi conturbada desde o período gestacional. "Ela conta um histórico dessa relação desde a gravidez. Uma relação conturbada. Ela chegou a dizer que durante a gravidez ele a abandonou financeira e economicamente, que passou necessidades e teve que parar de trabalhar. Ela relatou também que ele a chantageava economicamente em troca de relações sexuais nesse momento da gravidez", afirmou Eduardo Menezes. Igor Gustavo Veloso foi preso na madrugada desta quinta-feira (6) Reprodução/TV Anhnaguera LEIA TAMBÉM Caso Gustavo: veja a cronologia da morte à prisão do pai e madrasta Menino Gustavo voltava de visitas ao pai com marcas de agressões desde 2024 e foi filmado ‘nitidamente dopado’, diz delegado Caso Gustavo: foto da mãe sobre o caixão de menino morto na casa do pai comove a web A defesa de Igor Gustavo afirmou que ele colaborou com as autoridades desde o início, colocando-se à disposição e combinando previamente sua entrega após o mandado de prisão. A defesa ressalta que não houve captura após buscas, mas sim cumprimento acordado da ordem judicial, e informa que não comentará detalhes do caso devido ao sigilo das investigações (veja nota abaixo). A defesa de Kathellen Moreira informou que recebeu com surpresa a decisão que decretou a prisão preventiva da investigada e afirmou que o pedido não considerou que ela é mãe de uma bebê de cinco meses, que ainda está em fase de amamentação. Segundo a nota, será feito o pedido de substituição da prisão preventiva por medidas cautelares menos severas ou por prisão domiciliar, medida permitiria conciliar o andamento das investigações com os cuidados necessários à filha (veja nota abaixo). Vídeo publicado por mãe mostra momento de afeto com filho As agressões De acordo com o delegado, o histórico de violência começou a ser reconstruído a partir do depoimento de Sabrina, ouvida poucas horas após a descoberta da morte. Ela relatou à polícia que tinha uma relação conturbada com o ex-companheiro desde a gravidez. A polícia também analisa imagens gravadas pela mãe nos meses que antecederam o crime. Segundo Eduardo Menezes, os vídeos mostram situações que chamaram a atenção dos investigadores. Entre elas, registros em que o menino aparece com comportamento considerado atípico para a idade logo após retornar da casa do pai. As gravações passaram a integrar o inquérito e estão sendo analisadas pelos investigadores. Em entrevista à TV Anhanguera, a mãe contou que o filho ia visitar o pai e voltava para casa com hematomas. Em um vídeo, o menino chora ao recusar ir para a casa de Igor. "Mostrei as fotos e ele falava que o menino tinha caído. Ele tinha todo um argumento dele. Mandei o vídeo para ele, falando que não era certo, porque o meu filho estava daquele jeito. Não é certo. Toda vez que ele [filho] vê ou escuta a voz, ele fica com medo e agora ele está falando que ele [o pai] bate nele. Ele [pai] falou: 'De novo essa história'", disse. Advogados de Sabrina informaram que ela não poderia privar a criança da convivência com o pai para não caracterizar alienação parental. Ela movia uma ação na Justiça cobrando o pagamento de pensão. "Ela já havia me reportado diversas situações em que a criança chegava machucada das visitas. No entanto, o medo e o temor dela pela própria vida e pela vida do filho, da família, em relação a ele, em virtude das ameaças, impedia ela de nos permitir que tomássemos providências mais drásticas em relação a isso no momento", disse a advogada Stella Bueno. Morte violenta O diretor do IML, Eduardo Godinho, comentou que o estado em que a criança chegou ao IML é incomum. "Muita violência. Sinais de violência pela face, pelo intestino, internamente. Isso não é comum nos dias de hoje. Até agora, primeiro exame não tem indício nenhum de afogamento. Ali realmente foi outro tipo de trauma que levou à causa da morte", afirmou. O delegado afirmou que os elementos reunidos até esta quinta-feira (6) evidenciam que as graves lesões encontradas na região anal e intestinal da criança ocorreram em um contexto de violência extrema e foram usadas como instrumento de tortura. "Se no laudo cadavérico houvesse apenas as lesões anais e intestinais, nós estaríamos diante de um crime de estupro seguido de morte. Como há, somado a essas lesões, lesões na cabeça e hemorragia interna, a gente afastou inicialmente a ocorrência de uma relação sexual", explicou. Íntegra da nota da defesa de Igor Gustavo A defesa de Igor Gustavo Veloso de Sousa esclarece que, assim que tomou conhecimento do pedido de prisão preventiva, colocou-se imediatamente à disposição da autoridade policial, informando que Igor se entregaria voluntariamente caso a medida fosse decretada. Após a expedição do mandado, a defesa manteve contato com a autoridade policial e ficou ajustado que Igor se entregaria na própria residência onde se encontrava. Ele permaneceu no local e aguardou a chegada da equipe policial, submetendo-se voluntariamente ao cumprimento da ordem judicial, sem qualquer tentativa de fuga ou resistência. Portanto, embora a prisão tenha sido formalmente cumprida em uma residência, não se tratou de localização ou captura realizada após buscas policiais, mas de entrega voluntária previamente acordada com a autoridade responsável, mantendo a postura de colaboração adotada desde o início das investigações. Em respeito ao sigilo da investigação, a defesa não se manifestará, por ora, sobre aspectos específicos do caso. Íntegra da nota da defesa de Kathellen Moreira A defesa de Kathellen Moreira da Silva recebeu com profundo estarrecimento a decisão que decretou sua prisão preventiva. Causa especial preocupação o fato de não constar da decisão qualquer consideração sobre uma circunstância pessoal de extrema relevância: Kathellen é mãe e amamenta uma bebê de apenas cinco meses de idade. A maternidade está comprovada pela certidão de nascimento, e a lactação pelos próprios registros realizados nas dependências da unidade policial. Pelos documentos conhecidos até o momento, essa realidade não foi devidamente submetida à apreciação do Juízo quando do pedido de decretação da prisão preventiva. A custódia simultânea de Kathellen e do pai da bebê resultou na separação abrupta da criança de ambos os genitores, circunstância que deveria ter sido necessariamente ponderada antes da adoção da medida mais gravosa. A defesa também esclarece que Kathellen se apresentou espontaneamente para o cumprimento da ordem judicial. Diante desse cenário, a defesa adotará as medidas judiciais cabíveis para requerer a substituição da prisão preventiva por cautelares menos gravosas ou, subsidiariamente, por prisão domiciliar, compatibilizando a regularidade da investigação com a proteção dos direitos e das necessidades da bebê lactente. A defesa confia que, com a análise individualizada dos fatos e dos documentos apresentados, a situação será revista pelo Poder Judiciário, mantendo-se o respeito à investigação, à presunção de inocência e, sobretudo, à proteção integral da criança. Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.
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