Pesquisa

    Canal de Denúncias PeloBrasil360

    Use o chat abaixo para enviar denúncias e relatos do seu bairro.

    Conformidade GDPR

    Utilizamos cookies para garantir a melhor experiência no nosso website. Ao continuar a usar o nosso site, aceita a nossa utilização de cookies, Política de Privacidade, e Termos de Serviço.

    Capitão que chamou subordinado de 'chimpanzé adestrado' é absolvido, e Ministério Público Militar recorre

    1 day ago

    Capitão que chamou subordinado de 'chimpanzé adestrado' é absolvido, e Ministério Público Militar recorre O Ministério Público Militar recorreu da decisão que absolveu um capitão de mar e guerra da reserva da Marinha acusado de injúria racial contra um subordinado. O caso foi em 2024, quando Pedro Jorge Carvalho da Rocha denunciou ter sido vítima de racismo dentro da corporação. João Ricardo dos Reis Lessa foi acusado de chamar o cabo de "chimpanzé adestrado" e "animal que não pensa" depois de um equívoco na entrega de uma correspondência. Apesar de ter admitido em depoimento que usou as expressões, o oficial foi absolvido pelo Conselho Especial de Justiça Militar por 3 votos a 2. Durante o julgamento, realizado no início deste mês, a juíza Mariana Queiroz Aquino votou pela condenação do capitão. Ela fixou a pena em um ano e seis meses de reclusão, em regime aberto, além do pagamento de R$ 40 mil de indenização à vítima. No entanto, mesmo com a decisão, a Justiça Militar decidiu absolvê-lo. Segundo a sentença, o episódio aconteceu quando Pedro foi entregar uma correspondência na sala onde estava o oficial. Ao se identificar, Lessa teria dito: "vem aqui, seu chimpanzé, animal que não pensa". Em seguida, afirmou que o documento não era daquele local e mandou o subordinado retirar o papel de sua mesa. As ofensas foram ouvidas por funcionárias que estavam na sala. O capitão confirmou ter chamado Pedro de "chimpanzé adestrado", mas afirmou que não teve intenção de ofendê-lo. Segundo ele, as expressões seriam comuns no meio militar. A juíza, no entanto, rejeitou o argumento. Para ela, a comparação de uma pessoa negra com um primata carrega "uma carga histórica indelével de desumanização, racismo e preconceito estrutural". A magistrada também afirmou que o fato de uma expressão ser supostamente tolerada no meio militar não retira seu caráter racista. Apesar do voto pela condenação, a decisão final foi tomada pelo Conselho Especial de Justiça, formado pela juíza e por quatro militares escolhidos por sorteio. Três dos integrantes votaram pela absolvição e dois pela condenação. Os militares que absolveram o oficial reconheceram o abalo emocional e psicológico sofrido por Pedro, mas entenderam que não ficou comprovado que Lessa tenha agido com "vontade livre e consciente" de utilizar elementos relacionados à raça, cor ou etnia para ofender a dignidade da vítima. "Ele confirma que me chamou, as testemunhas estão em volta, confirmam que ele me chamou e ele ainda é inocentado?", disse Pedro ao RJ2. Para ele, a decisão é resultado de "corporativismo" dentro da Marinha. 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop. Pedro entrou na Marinha como recruta e deixou a corporação como cabo. Após o episódio, acabou dispensado. Hoje, trabalha fazendo bicos. "Me doeu muito. Eu sempre me esforcei para estar ali dentro. Eu entrei como recruta e saí como cabo. Mas a forma que me tratou no final foi algo surreal", afirmou. Enquanto respondia ao processo, Lessa continuou prestando serviços para a Marinha. Atualmente, segundo Pedro, ele trabalha em uma empresa contratada pela Amazul, empresa pública vinculada à Marinha. O Ministério Público Militar apresentou recurso contra a absolvição e pede a revisão da decisão. O caso agora deverá ser analisado pela instância superior da Justiça Militar. O que dizem a Amazul e a Marinha A Amazul informou que repudia qualquer forma de injúria racial, discriminação ou preconceito. A empresa disse ainda que instaurou uma investigação preliminar para apurar o caso, mas que o procedimento foi encerrado após o pedido de demissão de Pedro. Segundo a Amazul, a empresa colaborou com os órgãos responsáveis pela apuração criminal. A discussão A discussão aconteceu na estatal Amazul, empresa de tecnologia nuclear da Marinha. Após o ocorrido, João Ricardo pediu desligamento da estatal, mas continuou trabalhando na Cluster Tecnológico Naval-RJ, empresa que também é ligada à Marinha. Ele era oficial de proteção de dados. João Ricardo Reis Lessa foi ouvido nesta quinta-feira (1º) na Decradi Patrick Rozário/TV Globo O caso aconteceu em 2024, quando o cabo Rocha estava para completar 8 anos de serviços na Marinha. Segundo Rocha, ele exercia a função de motorista e tinha como seu chefe direto o capitão Lessa. Na ocasião, seu superior determinou que ele fosse buscar um documento em outro setor. Chegando lá, o documento contava com um anexo que parecia não ser parte do pedido. Rocha questionou, mas foi orientado a levar a encomenda do jeito que estava. Ele teria sido ofendido após deixar o documento na mesa do chefe. "Quando ele chegou, ele virou assim: 'quem deixou esse documento?' Eu falei: 'Eu'. 'Vem aqui, ô seu chimpanzé. Você não sabe ler, não?'", teria dito o capitão. "'Você é um não-verbal, um chimpanzé, um animal que não sabe ler'. Aí eu fiquei meio sem entender. (o capitão teria continuado) 'Tira essa p* aqui da minha mesa'. Ele falou desse jeito", contou Pedro Rocha. 'Ironia', disse capitão em depoimento A Amazul informou que abriu uma investigação interna para apurar os fatos narrados por Pedro Rocha. No procedimento, três funcionários que testemunharam o fato confirmaram o relato de Pedro. Segundo as testemunhas, o capitão da reserva chamou Pedro de "chimpanzé adestrado, que não pensa". Em depoimento anterior, João Ricardo Lessa tinha confirmado que chamou o cabo de chimpanzé. Contudo, ele disse que não foi com intenção de ofender e que o comentário foi de maneira irônica. Durante a investigação interna feita pela Amazul, o capitão Lessa pediu desligamento da empresa.
    Clique aqui para Ler Mais
    Artigo Anterior
    Douglas Ruas promete convocar aprovados em concursos públicos em todas as forças policiais
    Artigo Seguinte
    Quaest em MT: Flávio Bolsonaro, 43%; Lula, 26%; Ronaldo Caiado, 4%; Renan Santos; 3%; Romeu Zema, 2%

    Relacionados Notícias do Brasil Atualizações:

    Tem a certeza? Deseja eliminar este comentário..! Remover Cancelar

    Comentários (0)

      Deixe um comentário