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    Cães de indígenas Warao são abandonados após transferência de famílias para novo abrigo em Belém

    19 hours ago

    Cães estão abandonados no bairro do Tapanã, após mudança dos indígenas Warao Dezenas de cães que conviviam com famílias refugiadas de indígenas da etnia Warao estão abandonados no bairro do Tapanã, em Belém, enfrentando fome, sede e doenças. Os animais foram deixados para trás após a transferência dos indígenas para um novo abrigo em no distrito de Outeiro. Segundo a prefeitura, a nova sede não dispõe de espaço físico para abrigar os animais domésticos, gerando protesto de defensores da causa animal na capital paraense. ✅ Receba as notícias do g1 Pará direto no WhatsApp Os cães agora vagam pelas ruas do entorno do antigo abrigo revirando o lixo em busca de alimento, escondendo-se debaixo de carros e permanecendo em frente aos portões fechados do antigo espaço de acolhimento. Atualmente, cerca de 30 animais vivem nessa situação de vulnerabilidade. O número já foi muito maior, segundo ativistas. Os voluntários atuam há três anos no local que abrigava mais de 100 cães. Em março deste ano, eram 50, e hoje restam menos de 40. A redução drástica se deve, em grande parte, a um surto de cinomose e parvovirose ocorrido há sete meses, que dizimou dezenas de animais, segundo os voluntários. Cães ficam abandonados em antigo abrigo de indígenas venezuelanos refugiados em Belém. Reprodução / TV Liberal Transferência determinada pela Justiça A mudança das famílias indígenas ocorreu em junho deste ano, após uma determinação da Justiça Federal. Quase um ano antes, a Justiça havia ordenado que a Prefeitura de Belém apresentasse um plano de reestruturação para as casas de acolhimento. A transferência só foi efetivada depois que a Justiça aplicou multas de R$ 1 milhão à Prefeitura de Belém e de R$ 1 milhão ao Governo do Pará pelo descumprimento dos prazos. Ao todo, 19 famílias da etnia Warao, cerca de 100 imigrantes venezuelanos que vieram para o Brasil fugindo da crise socioeconômica no país de origem, foram levadas para a nova sede em Outeiro, mas sem o direito de levar os animais de estimação. "A prefeitura diz que não é possível levar os animais para lá por não ter espaço. Mas eles deveriam providenciar outro local adequado", cobra a professora e protetora de animais Andréa Andrade. A ativista Carmem Américo acompanha a situação dos cães do abrigo do Tapanã há sete anos. Ao lado de outros voluntários, ela costumava entrar no espaço para fornecer ração, vacinas e medicamentos. Agora, com o fechamento do local, os protetores afirmam que estão proibidos de entrar para cuidar dos animais que restaram na área interna. "Eles estão doentes, muitos estavam em tratamento. O local está cheio de fezes e urina. Agora, depois do abandono, não é mais permitida a nossa entrada nem para tentar conseguir adoção para eles", desabafa Carmem. Um detalhe que chama a atenção dos moradores é que o abrigo desativado fica quase em frente ao antigo Hospital Veterinário Municipal, que também foi desativado pela Prefeitura de Belém. Vídeos gravados recentemente por voluntários mostram o estado debilitado dos animais; em um dos registros, dois cães aparecem deitados no chão, sem forças sequer para levantar. OAB-PA acompanha o caso A Comissão de Defesa dos Direitos dos Animais (CDDA) da Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Pará (OAB-PA) disse que acompanha a crise sanitária no abrigo desde março deste ano. Representantes da comissão realizaram vistorias mensais no local entre março e junho e relatam que a situação se agravou severamente ao longo do semestre. De acordo com Doany Mesquita, vice-presidente da CDDA, a OAB acionou a Secretaria Extraordinária de Defesa Animal (SEPDA) de Belém diversas vezes para exigir medidas urgentes que garantam a dignidade e a saúde dos animais. Enquanto uma solução definitiva não é apresentada pelo poder público, os protetores locais pedem, ao menos, autorização para acessar a área e dar continuidade aos tratamentos de saúde e alimentação dos cães. "Já que existem protetoras que vêm fazendo esse trabalho de forma voluntária, isso tudo deveria ser feito com a participação e colaboração de todos", conclui Andréa Andrade. Leia mais notícias do estado no g1 Pará
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