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    'Caçadores de frio': como o sonho de ver neve no Brasil movimenta cidades da Serra de SC

    7 hours ago

    Turismo de expectativa: Caçada pelo frio em SC movimenta a economia na Serra de SC A expectativa de ver neve e encontrar cenários típicos de inverno sem sair do Brasil é um sonho que leva milhares de visitantes à Serra de Santa Catarina todos os anos. Mais do que vinhos de altitude – cultivados em regiões elevadas – e gastronomia, o frio se tornou protagonista e movimenta a economia de cidades como São Joaquim, Urubici, Urupema e Bom Jardim da Serra, famosas pelos fenômenos de geada e neve. ⛄❄️ Foi a expectativa dos "caçadores de frio" – turistas que viajam para aproveitar baixas temperaturas – que trouxe a família de Maria Gabriela de Lucca Oliveira e Francisco Carlos Machado de Oliveira, de São José do Rio Preto, em São Paulo, até São Joaquim. Os visitantes chegaram em um grupo com 5 pessoas, na expectativa de realizar um sonho antigo. "Com certeza, a gente veio porque a gente sempre ouviu falar sobre São Joaquim, né? Que aqui neva e que o pessoal é muito acolhedor. Então, nós viemos para ver se é tudo isso mesmo", conta Maria. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp Imagem mostra a família de Maria Gabriela de Lucca Oliveira Francisco e Carlos Machado de Oliveira em São Joaquim, na Serra de SC Mycchel Legnaghi/Divulgação Mariene Simas e Lucian Galiotto, moradores de Joinville, também viajaram até São Joaquim no fim de junho em busca do frio. O deslocamento deu certo e a família amanheceu com os termômetros marcando -8°C na região, além dos campos cobertos de geada. Apenas a neve não apareceu. “Vai ser um bate e volta. A gente veio para conhecer algumas cidades, paisagens, e algumas a gente já conhecia. Estamos gostando e sentindo o frio”, contou Lucian. Mariene Simas e Lucian Galiotto com o filho em São Joaquim, na Serra de SC Caroline Borges/g1 ❄️ A Serra de SC tem altitudes entre 900 e 1,5 mil metros e é reconhecida como a região mais fria do Brasil. Em 2025, três episódios de neve foram registrados na região. Já em 2026, Bom Jardim da Serra voltou a ganhar destaque nacional ao registrar os primeiros flocos de gelo do ano. Onde caçar a geada e os fenômenos do frio na Serra 🥶🏔️🕵️ Imagens mostram São Joaquim, Bom Jardim da Serra e Urubici, na Serra de SC Reprodução/Arquivo Pessoal Segundo as prefeituras da região, os turistas podem 'caçar' cenários de frio especialmente em vales, baixadas, campos e topos de morro. Veja os principais locais: São Joaquim: a uma distância de 1,3 mil metros do chão, município é conhecido pela formação de geada no Vale Caminhos da Neve, onde se registram algumas das menores temperaturas do país. A Praça João Ribeiro também costuma amanhecer coberta de geada. Urupema: reconhecida como a Capital Nacional do Frio, é a cidade mais alta do estado, com 1,4 mil metros e abriga pontos turísticos como o Morro das Antenas e o Vale das Pedras Brancas, onde cascatas e vegetação congelada atraem visitantes. Urubici: com média de 915 metros de altitude, a cidade é uma das mais visitadas na região e reconhecida como a mais acolhedora do país. Localidades como Vacas Gordas e Morro da Igreja registram fortes episódios de geada. Bom Jardim da Serra: com altitude de 1,2 mil metros, a cidade registrou, em 2026, a primeira neve de 2026 e chegou a -9,2ºC. Os pontos mais procurados para caçar o frio são Terra do Gelo e o Mirante da Serra do Rio do Rastro. Mapa mostra os destinos do frio na Serra de SC Arte g1 Quem são os 'caçadores do frio'❄️☃️ Outro turista que foi em busca do cenário de frio é Elias Leopoldino Basto, 51 anos. Morador do Guarujá (SP), o empresário viu as notícias da queda brusca nas temperaturas e decidiu viajar de motorhome com a família. Por conta da facilidade de deslocamento, conseguiu percorrer os principais cenários 'congelantes' da região: “Tem sua vantagem, porque é só ver a previsão do tempo e pegar a estrada. Às vezes, é um pouco apertado para fazer as coisas, tomar banho, o banheiro é pequeno. E quando não tem lugar para ficar na pousada, a gente tem que ter tempo para organizar”, conta Elias, que descreve a experiência como a liberdade de “caçar as menores temperaturas da região”. Turistas posm para fotos em meio à paisagem coberta pela neve na região da Serra do Rio Rastro, no sul de Santa Catarina, na manhã desta sexta-feira, 21. GUILHERME HAHN/ISHOOT/ESTADÃO CONTEÚDO De acordo com a pesquisa "Inverno na Serra Catarinense" da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio-SC) , o perfil dos "caçadores de frio", em 2025, é: 52,4% prefere hotéis e similares e cerca de 24,3% fica em imóveis alugados A maioria dos visitantes, 86,1%, viajam em carro próprio 27,9% viajam em excursões, contrariando a ideia de serem destinos mais românticos; somente cerca de 2% fazem a viagem de casal O tempo de permanência na Serra Catarinense varia entre 2 e 5 dias 24,7% dos turistas tem uma faixa de renda entre 5 a 8 salários mínimos e 21% dos visitantes ganha entre 2 e 5 salários mínimos 28,7% dos turistas tem entre 31 e 40 anos e 28,5% tem entre 41 e 50 anos A maioria, 80,4%, dos turistas são homens 📌A pesquisa aponta que a Serra Catarinense já recebeu turistas da Alemanha, Argentina, Espanha, Uruguai e Peru. 📌Já em relação ao Brasil, a maioria dos visitantes são de Santa Catarina, seguido por Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo. Inverno impulsiona interesse pelas previsões meteorológicas Moradora curtindo a neve em São Joaquim, na Serra de Santa Catarina Mychel Legnaghi/São Joaquim Online O frio também impulsiona a busca por informações meteorológicas. Marcelo Martins, da Epagri/Ciram, explica que a expectativa por neve e geada aumenta a demanda e procura por informações sobre as previsões do tempo. Em 2025, por exemplo, três episódios de neve e vários dias de temperaturas negativas movimentaram notas e comunicados sobre o tempo no estado. “No ambiente da previsão do tempo, é muito comum que, com a chegada do inverno, pessoas de outras regiões do país, principalmente do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde não é frio e tem pouco costume de ver neve, virem para cá com a esperança de verem o fenômeno”, diz. Meteorologista da Epagri/Ciram, Marcelo Martins Arquivo Pessoal/Divulgação Turismo em números Uma pesquisa feita pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio-SC) mostrou que o gasto médio por grupo de visitantes foi recorde no ano passado. 📌 O valor saltou de R$ 2.824 para R$ 3.550 por grupo de visitantes, o maior número da série histórica, iniciada em 2017. Daniele Cruz, analista de pesquisas que acompanha o cenário do turismo na Serra desde o início do levantamento, afirma que a região tem buscado formas para ampliar os atrativos, com outras opções para os visitantes. Morro das Antenas, no município de Urupema em dia de neve na Serra de Santa Catarina em 2024 FOM CONRADI/ISHOOT/ESTADÃO CONTEÚDO Segundo ela, nos últimos anos houve crescimento de opções para os turistas que chegam à região procurando por atrativos relacionados ao frio: “Apesar de termos esses ‘caçadores de neve’, que vem em busca do fenômeno, e esse volume de turistas aumentar quando tem essa expectativa de frio intenso, ainda assim, se ele vem até a Serra e não encontra neve, ele não se decepciona totalmente porque tem muitas opções para desfrutar”, afirma Daniele Cruz. 📌 No mês de maio de 2025, que antecede o início do inverno, a movimentação de emprego em três das quatro cidades que são destinos dos "caçadores de frio" foi positiva, com a admissão de 72 novos trabalhadores na área do turismo. Segundo a pesquisa "Movimentação de Empregos SC", da Fecomércio-SC, foram: 16 contratados em Bom Jardim da Serra 20 em São Joaquim 36 em Urubici 📌Em 2026, o último levantamento é do mês de abril, em que o saldo também é positivo: foram 59 pessoas contratadas na área de turismo nas quatro cidades. Quem vive do turismo confirma a influência do clima na demanda do serviço. Dono de um empório de alimentos em Bom Jardim da Serra, Julio Fernando Regis afirma que a combinação entre paisagens e imprevisibilidade do tempo movimenta a região. Enquanto os dias de sol e frio fazem os turistas aparecerem, a chuva e o tempo instável afugentam os visitantes. "Eles [turistas] vêm aqui para apreciar os cânions, as cascatas, fazer cavalgadas, trilhas e também chegam pelo advento do frio, da neve, da geada. Normalmente, aumenta o número de visitantes quando está previsto para vir temperatura mais baixa. Aí, enche rapidinho", diz. Júlio, também sócio-fundador da Associação Bonjardinense de Turismo, afirma que, quando chegou para morar na cidade, em 2007, havia pouco mais de 400 vagas de hospedagem. Atualmente, o número mais que dobrou. Débora Berlato Moura administra junto com o marido uma empresa de ecoturismo especializada em passeios, trilhas e experiências em Urubici Caroline Borges/g1 Débora Berlato Moura, que administra junto com o marido uma empresa de ecoturismo em Urubici especializada em passeios, trilhas e experiências na cidade, explica que a maior procura acontece nos meses de inverno, entre junho e agosto. No entanto, nos últimos anos tem crescido o interesse também pelo período mais quente, quando os turistas buscam vivências ligadas ao contato direto com a natureza. “Hoje trabalhamos com duas temporadas bem definidas. O inverno continua sendo a altíssima temporada, mas o verão já se consolidou como uma média temporada. Isso mostra que a sazonalidade está diminuindo: temos clientes o ano inteiro”, afirma. GIF neve em Santa Catarina Arte/G1 LEIA TAMBÉM SC abaixo de -8°C: campos amanhecem branquinhos e rota turística recebe sal Menos frio e mais chuva na Serra de SC: como o El Niño vai afetar o inverno VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias
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