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    Aos 91 anos, cantora mineira faz shows e não pensa em abandonar a música: 'Parar pra quê?'

    13 hours ago

    Cantora de 91 anos se apresenta hoje em Uberaba com show especial Aos 3 anos de idade, em meados dos anos 1930, a pequena Maria Darci Resende era colocada sobre os móveis da casa para entreter os convidados da família com sua voz meiga. O talento parece ter vindo do berço, impregnando coração e alma. "Eu não gostava muito, mas era obediente", recorda a cantora mineira, aos 91 anos, que segue uma rotina de ensaios, tendo show agendado ou não. A criança obediente cresceu e a música acabou virando mais que um entretenimento para os amigos dos pais e tornou-se uma companheira para a vida toda. Mesmo com a graduação em Direito em uma universidade carioca, a maternidade, a carreira como advogada e todos os afazeres do dia a dia, Marie, nome artístico adotado por Maria Darci, jamais deixou a música sair da sua rotina. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp "A música pra mim é a maior manifestação divina. É a comunicação mais direta que sinto com o criador. Ela é espiritual, não posso ficar sem." Nascida em Perdizes em março de 1934, Marie reside em Uberaba, onde fez o show mais recente, neste início de ano, "Talento Não Tem Idade", apresentado por ele e outros sete músicos com um repertório para os amantes da boa música no Centro Cultural Cecília Palmério. E quando falamos em boa música, não pense numa questão única de julgamento ou refinamento. Marie sabe que para selecionar um bom repertório é preciso conhecer música a fundo, estudar e principalmente entender o que o público quer, e ela se orgulha de conhecer bem o seu. "Não importa se é uma canção simples, ou uma ópera, eu respeito as músicas, ensaio. Se erro peço ajuda aos meninos para saber onde melhorar porque a pessoa que sai de casa para ver a Marie não vai ver qualquer coisa. Não sou uma Édith Piaf mas respeito as canções e o meu público para apresentar somente o melhor", afirmou. Joia rara A cantora francesa Édith Piaf (1915-1963) é uma das influências de Marie, que canta também em francês e espanhol. A facilidade com outros idiomas vem das muitas viagens que fez e ainda faz. Já se apresentou em palcos dos Estados Unidos, Paris e Suíça, onde mora uma filha. Marie é como uma joia rara em forma de gente, conhece de leis, de história e diferentes culturas. Por mais internacional que seja sua vivência, ao destacar um momento marcante nessas nove décadas, foi um palco brasileiro que fez com que os olhos da mineira brilhassem mais: a Confeitaria Colombo. Fundada em 1834, no Rio de Janeiro, a tradicional confeitaria é um marco na carreira de Marie. "É um orgulho ter me apresentado lá. É um dos marcos da chegada dos portugueses no Brasil, um espaço com espelhos de cristal bisote, detalhes em ouro. Nada me empolgou tanto! Ali me senti uma cantora". As marcas do tempo não incomodam Marie. A vaidade existe sim, procura sempre estar bem, principalmente para os shows. Unhas feitas, batom delineado, cabelo arrumado, figurino elegante. A alma de artista sabe que o palco não pode ser pouco e não é para todos. "Cada vez que subo no palco agradeço a Deus por essa oportunidade. Eu valorizo a pessoa que sai de casa para me ver, é uma honra. E eu olho para eles, me conecto, sei o que querem ouvir e faço tudo com profissionalismo e carinho". Maria Darci no show "Talento Não Tem Idade" TV Integração/Reprodução Vocação Maria Darci, ou Mari, vê sua trajetória no canto mais como vocação do que como profissão. Ela conta que jamais cobrou para fazer um show. "Nunca pensei no canto como uma profissão, sempre canto de graça e olha que os meus concertos ficam caríssimos", conta a artista que faz questão de pagar os músicos e sempre oferece o jantar pós-show. "É uma festa! Eles trabalham muito também e devem ser valorizados". Muitos de seus concertos têm renda revertida ou arrecadação de alimentos para ajudar instituições que precisam. Questionada se pensa em parar de cantar ele retruca: "Parar pra quê?" "Enquanto minhas cordas vocais estiverem boas, enquanto eu puder eu vou cantar. Se me convidarem para fazer show eu vou, se não convidarem eu cantarei em casa. Se eu não puder cantar continuarei ouvido e mesmo que eu não consiga ouvir a música estará ali." Marie se mantém ocupada e feliz, pensando na próxima viagem para a Suíça. "Meu amor pela música só não é maior do que meu amor pela minha família, que vem em primeiro lugar", diz a mãe, avó e bisavó orgulhosa das crias. Recado para outras gerações Nos anos 1930, quando muitas mulheres brasileiras ainda tinham o destino limitado ao casamento, à casa e à obediência, poucas conseguiam transformar talento artístico em caminho de vida. O acesso à educação era restrito, a presença feminina nos palcos era exceção e a música, para elas, quase sempre era tratada como passatempo, não como vocação. Maria Darci Resende nasceu nesse contexto histórico e ainda assim, a cantora construiu uma trajetória singular, marcada pela liberdade, pela arte e pela fidelidade à própria essência. Para quem acha que é tarde demais para qualquer coisa, ela deixa um recado: "a vida termina quando termina". A menina que saiu jovem do interior de Minas para o Rio de Janeiro frequentou os Arcos da Lapa no período mais efervescente da boemia carioca e mesmo nos anos mais duros da ditadura, conseguiu enxergar nas dificuldades, a leveza. "Eu amo a Lapa, sua arquitetura, seus boêmios. Na época da ditadura era comum terminarem os shows antes da hora, quando a polícia chegava. Era hora de guardar a viola e pegar o bondinho para Santa Tereza". O amor pela Lapa foi imortalizado em uma canção composta por ela, assim como a montanha Salève, ou o "Balcão de Genebra", paisagem que observa pela janela sempre que visita a filha na Suíça. Essas são algumas das músicas gravadas por ela, que durante a pandemia, chegou a ensaiar 200 canções em três dias. No coração, guardadinho, um período de 14 anos no Coral Vera Cruz, e a regência de um mestre: Isaac Karabichewski, maestro brasileiro de ascendência russa, contemporâneo de Marie. "A música ficou séria para mim quando entrei nos corais e ser regida pelo Isaac foi uma honra, fiquei envaidecida mesmo!" Inspiração O músico Fausto Reis Rocha Oliveira, carinhosamente chamado por Marie de Faustinho, se lembra exatamente quando a viu pela primeira vez. "Foi em 1994 no show Tributo a Noel Rosa no Cine Teatro Vera Cruz. Ali foi fundado o grupo Chorocultura, e a Maria Darci era uma das convidadas. Impossível esquecer como ela é capaz de agradar uma plateia". Maria Darci tinha apenas um álbum gravado, "Lembranças do Meu Canto", lançado ainda em vinil na década de 1980. "Eram muitas viagens de avião entre Rio de Janeiro e Uberaba, e eu ainda trabalhava no Tribunal de Contas. Foi feito com muito carinho, mas custou caro... dava pra comprar no mínimo uma kitnet com o dinheiro que gastei nele, e não me arrependo", disse a cantora, que ao contrário do canto, se aposentou na advocacia. Foi Fausto quem trouxe a ideia do CD e assim, gravaram juntos "Soberana", lançado em 2002. Para Marie, já é o suficiente. "Com a ajuda do Faustinho e outros maestros esse foi mais fácil de gravar e menos caro que o vinil, mas não preciso de mais". "Eu tenho uma gratidão enorme por ela, cantei em lugares que jamais imaginaria, onde jamais teria tocado, se não fosse com ela", disse o músico. Bolero, samba, ópera, MPB, chorinho ou clássicos de outras culturas: se a música é boa, ela canta, e canta com excelência, enquanto houver voz, fôlego e coração. Minas Gerais, que já presenteou o mundo com Milton Nascimento, Lô Borges, Clara Nunes e tantos outros ícones, também é casa, berço e palco de Marie. LEIA TAMBÉM: Aberto 24h: Parque do Mirante, de Uberaba, além da melhor vista da cidade tem dezenas de atrações VÍDEO: Show “Talento Não Tem Idade” emociona público com apresentação de Maria Darci Maria Darci, ou Marie, como prefere ser chamada, durante ensaio em casa TV Integração/Reprodução VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas
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