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    A longevidade não pode ser resumida à expectativa de vida

    7 hours ago

    No começo do mês, assisti, on-line, a diversas apresentações da Conferência de Envelhecimento Saudável (Healthy Aging), realizada pelo Programa de Medicina do Estilo de Vida da Universidade Stanford. O tema do evento, “Propósito, Poder e Diversão” (Purpose, Power and Play), vai ao encontro do conceito – cada vez mais enraizado – sobre a importância de projetos, objetivos, alegria e engajamento social na velhice. A geriatra Louise Aronson: motivação é uma espécie de motor que nos move Divulgação E o que está por trás disso? A longevidade não pode ser resumida apenas à expectativa de vida e de saúde. Na verdade, tem que levar em conta o que faz nossa existência valer a pena. A sociedade entende que diversão é algo que diz respeito somente a crianças e jovens; no entanto, ela é uma ferramenta eficiente para a construção de laços em qualquer idade. Nas colunas de hoje e de domingo, escrevo sobre as palestras que mais me cativaram. A geriatra Louise Aronson, escritora e professora de medicina da Universidade da Califórnia em São Francisco, afirmou que a motivação é um fator da maior relevância para manter a saúde: “Sabemos que a recuperação é mais difícil à medida que envelhecemos, mas vejo as pessoas enfrentando com muito mais disposição uma quimioterapia, ou o processo de reabilitação após uma cirurgia, porque querem ir à formatura ou ao casamento de um neto ou neta. É uma espécie de motor que nos move”. Aronson utilizou uma expressão que está em alta na área da gerontologia: o social prescribing, ou prescrição social. No lugar de uma receita de farmácia, trata-se de promover um ambiente que conecte as pessoas idosas a atividades, recursos e redes de proteção para promover sua saúde, autonomia e seu bem-estar. “A ciência gosta de medir tudo, o que, às vezes, pode ser meio reducionista. As conexões e o engajamento social são tão importantes quanto exercitar-se”, ressaltou. A gerontóloga Barbara Waxman, consultora do Centro de Longevidade de Stanford, foi enfática: “O envelhecimento não é sinônimo de declínio. Eu diria que, ao chegamos aos 60 anos, é quando temos o maior senso de propósito de nossas vidas e uma noção clara de como os outros importam”. Na sua visão, há espaço para florescer na velhice: Barbara Waxman: “Ao chegamos aos 60 anos, é quando temos o maior senso de propósito de nossas vidas” Divulgação “Precisamos de bons relacionamentos. Precisamos de um propósito, que nos dará asas. Precisamos de alegria. Eu gostaria de convidar todos a embarcar no desafio de criar uma métrica sobre o que nos traz alegria. Diariamente, enumerar todos os pequenos prazeres possíveis. Pode ser o ritual do café da manhã. Ver o dia nascer. Ou, ainda, brincar com os netos, encontrar um amigo querido”. Reportagem dá dicas de como envelhecer bem No domingo: Nosso modelo mental tem o potencial de nos tornar mais fortes
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