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    A 'assinatura' secreta de Michelangelo: estudo de pesquisador do RS revela nova obra do artista 'escondida' em Roma

    há 2 meses

    Veia no pescoço de escultura foi pista para pesquisador gaúcho solucionar mistério da arte Um mistério de séculos na história da arte, guardado em uma pequena basílica de Roma, começou a ser desvendado a partir do olhar treinado de um pesquisador gaúcho. Uma escultura do século XVI, catalogada como anônima, foi revelada como uma obra de um dos maiores artistas de todos os tempos: Michelangelo Buonarroti. A pista? Um detalhe anatômico no pescoço da obra. A peça em questão é o busto do Cristo Salvador, localizado na Basílica de Sant’Agnese fuori le Mura. A descoberta foi publicada na revista científica Ethics, Medicine and Public Health e é resultado de uma parceria entre o professor Deivis de Campos, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (Ufcspa), e a pesquisadora italiana Valentina Salerno. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp O que chamou a atenção do professor, que é biólogo de formação e doutor em neurociências, foi a representação da veia jugular externa dilatada no pescoço do Cristo. Ele explica que esse detalhe funciona como uma "assinatura anatômica" de Michelangelo, presente em outras de suas criações mais famosas. Segundo ele, Michelangelo não incluía a veia dilatada apenas por realismo. A intenção era representar um aspecto emocional, já que essa veia pode se dilatar em situações de estresse, esforço físico ou forte tensão emocional. "O Davi e o Moisés apresentam esse detalhe anatômico, e tem outras esculturas que também apresentam", afirma o professor. "O artista, com isso, estava na verdade representando um aspecto emocional do seu personagem", completa. O profundo conhecimento de Michelangelo sobre o corpo humano, adquirido por meio de estudos e dissecações, é bem documentado. De acordo com Deivis, existem diversos desenhos e esboços preparatórios do artista que destacam especificamente a veia jugular externa, reforçando que sua presença nas esculturas era uma escolha deliberada e recorrente. Veia no pescoço de escultura foi pista para pesquisador gaúcho solucionar mistério da arte Divulgação/Ufcspa Dez anos de investigação nos arquivos Enquanto a análise anatômica fornecia a chave científica, a confirmação histórica veio de um trabalho minucioso de uma década. A pesquisadora Valentina Salerno mergulhou em arquivos italianos para reconstruir a trajetória da obra. A paciência rendeu frutos: ela encontrou um guia de Roma chamado "Il Mercurio Errante", de 1693, que já mencionava a autoria de Michelangelo para o busto. Outra edição do mesmo guia, de 1715, confirmava que a obra era feita de mármore. Esses documentos históricos, segundo a pesquisadora, descartam teorias anteriores de que a obra seria uma cópia dos séculos XVIII ou XIX. O detalhe anatômico identificado por Deivis também ajuda a distinguir o original das cópias, que geralmente possuem superfícies mais lisas e polidas, sem essa riqueza de detalhes. Veia no pescoço de escultura foi pista para pesquisador gaúcho solucionar mistério da arte Divulgação/Ufcspa VÍDEOS: Tudo sobre o RS
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