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    101 milhões de pessoas têm cartão de crédito, que responde por boa parte do endividamento, diz presidente do BC

    2 months ago

    O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (26) que 101 milhões de pessoas no Brasil usam cartão de crédito no país, modalidade que responde por boa parte do endividamento. Os dados se referem a janeiro deste ano. Segundo ele, as pessoas estão tomando linhas de crédito que deveriam ser usadas somente em momentos emergenciais de forma recorrente, ou seja, como parte de sua renda, e que isso deveria ser alvo de uma discussão estrutural. "Nossa dimensão do BC é como a gente consegue construir alternativas para o cliente ter uma opção mais adequada aà situação dele", disse o presidente do BC, Gabriel Galípolo. Segundo ele, uma eventual "limitação de preço", ou seja, da taxa de juros cobrada, pode produzir limitação de oferta do crédito. "Então pode aumentar situação de desconforto, tema que vem sendo debatido bastante dentro do Banco Central", declarou. De acordo com Galípolo, a ideia é tentar "produzir arranjos mais saudáveis para quem está buscando crédito", ou seja, linhas de crédito mais adequadas. Segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito rotativo somou 425% ao ano em janeiro. Trata-se da modalidade mais cara do mercado financeiro. Em doze meses até janeiro, o estoque dessa modalidade subiu 31%, atingindo R$ 84,8 bilhões (o maior crescimento registrado no crédito livre para pessoas físicas). Lula preocupado com endividamento A declaração acontece em um momento no qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está demonstrando preocupação maior com o nível de endividamento da população que, segundo dados do próprio BC, está entre os maiores níveis das últimas décadas. "Falei para meu ministro da fazenda [Dario Durigan] pra gente resolver a dívida das pessoas. Não quero que deixem de endividar para ter coisas novas na vida, mas ver como a gente faz pra facilitar o pagamento do que devem", disse Lula, em evento nesta quinta, em Anápolis (GO). Veja os vídeos que estão em alta no g1 Inflação aumentou endividamento De acordo com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, houve quatro choques econômicos nos últimos anos que impulsionaram a inflação nos últimos anos: Covid, guerra na Ucrânia, guerra tarifária dos Estados Unidos e agora o conflito no Oriente Médio. Por conta disso, apesar dos juros altos, os preços relativos subiram nos últimos anos. "O cidadão vê os preços. Entende pouco de IPCA, mas vê o preço do leite e do pão. A gente vem de quatro choques consecutivos. Mesmo que consiga controlar a inflação, os preços subiram quatro degraus. Isso se soma ao que está impactando orçamento das famílias", explicou Galípolo, do BC. Por conta disso, explicou ele, houve um impacto na renda do trabalhador brasileiro, que buscou complementá-la com financiamentos junto aos bancos. "Cresceu o número de cartões crédito" observou ele. Por fim, o presidente do Banco Central afirmou que é preciso que os trabalhadores busquem linhas de crédito mais compatíveis com renda, não usando o crédito rotativo como complemento de renda - pois essa linha de crédito tem taxas "punitivas". Gabriel Galipolo TON MOLINA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
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